Casa alaranjada – os recônditos

Além do lugar onde se fazia a goiabada no tacho de cobre, os fundos da casa alaranjada guardava outros tesouros. Havia uma piscina que, como a mureta de entrada, parecia enorme como a dos clubes, mas era um pequeno quadrado onde se podia refrescar. A construção da piscina causou um frisson na casa. Os irmãos mais velhos, que já não moravam mais na casa alaranjada, acompanharam a construção de longe. Uma irmã, certa vez, mandou uma carta para as caçulas, brincando que deveriam tomar cuidado: “Não vão sonhar que a piscina está pronta e pular no concreto”. Mas não tardou e a piscina foi concluída, o que era sonho virou realidade e muitos “tibuns” foram dados naquele refrescante quadrado.

Ainda nos fundos da casa havia a horta, com os canteiros de couve. Era a verdura que alimentava os coelhinhos que chegaram à casa certa vez. No princípio as caçulas se animaram, mas com o passar do tempo foi a vovó que passou a tomar conta dos coelhinhos que se refestelavam com as verduras. Vovó era habilidosa para cuidar dos coelhinhos, para encontrar o ponto do doce de goiaba, para fazer lindos forros de crochê e para preparar as bandeirolas para a festa junina do aniversário de uma das netas. Ela cortava revistas velhas, preparava artesanalmente o grude que ia colar as bandeirolas e esticava o barbante nos fundos da casa para a festa. Ficava uma lindeza a área dos fundos enfeitada para a festa de São João.

E o porão da casa que constantemente amanhecia era o recôndito no qual todas as tralhas iam se amontoando. Jornais e revistas velhos, móveis em desuso,quadros já desgastados, engradados e cascos de refrigerante, inclusive Fanta Uva. Casco de cerveja raramente se via por lá porque ninguém da família bebia….

Outro recôndito charmoso era o pomar, onde foram morar os coelhinhos. Pés de laranja-lima e canas docinhas eram as mais concorridas…Não raro, garotos ousados pulavam o muro do pomar para roubar as canas. Os moradores da casa não gostavam nada da investida, afinal, precisava ter cana à vontade porque o pai descascava a iguaria  para seus filhos, cuidadosamente, com seu canivete. Além de descascar, cortava a fruta em toquinhos e os todos se deliciavam com aquele carinho. Mais uma doce lembrança da casa alaranjada…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s