O direito de existir

Eu imaginei que As Sufragistas (Reino Unido, 2015) fosse um filme bom. Mas, é muito mais.É um filmaço, daqueles que te tiram de órbita e fazem balancê com as ideias.

Nem sei por onde começar a descrever o que mais me tocou no filme, são muitas as abordagens que me enredaram – o feminismo, a maternidade, os ideais, a tristeza. Enfim, se pode sentir o filme por muitos caminhos.

Pra começo de conversa, o enredo não te poupa de nada. Desde as primeiras cenas a exploração da mulher é escancarada em uma lavanderia da Inglaterra do início do século XX. Meninas e jovens se esfalfando em um trabalho insalubre, enfadonho, pesado e mal remunerado. Patrões opressores, assédio moral e sexual, humilhações estão na rotina de trabalho dessas mulheres.

Esqueça o que você aprendeu nos livros de História sobre a glamourosa Revolução Industrial e as novas formas de trabalho. Se não houve nenhum refresco para a classe masculina, quando a produção deixou de ser artesanal e passou a ser industrial, imagina para as mulheres. Imagina para aquelas que, além de mulheres trabalhadoras, resolveram reivindicar o direito de voto. Imagina para aquelas que foram além, questionaram por que entregar o suado ordenado inteiramente na mão de seus maridos. Imagina para as sufragistas que resolveram usar a força para chamar a atenção para a sua causa.

Chocante o que essas mulheres tiveram de passar para que o voto fosse uma conquista. E para países como a Arábia Saudita esse direito só foi alcançado em 2015, no ano passado!

Pode parecer clichê, mas não há outro sentimento a não ser o da injustiça. De como a humanidade tem uma grande dívida com as mulheres, assim como com os negros que foram escravizados ou como os imigrantes, que vivem essa incompressão e esse “não lugar” nos dias de hoje.

Quantas “minorias” continuarão sendo hostilizadas e oprimidas para que outros grupos se sobressaiam? Eu, na minha condição de mulher, tive vergonha do papel masculino no tempo retratado no filme. Tive um grande desconforto de assistir ao tratamento dado às mulheres em um país que era vanguarda como a Inglaterra do início do século XX. E me compadeço de pensar em quantas mulheres ainda são violentadas e subjugadas em pleno século XXI.

Como bem disse a Nina de Oliveira, ao comentar do filme, não é sem razão que as mulheres carregam uma tristeza atávica, uma melancolia, uma desesperança, tão bem representadas pela personagem Maud Watts (Carey Mulligan).

Cansamos de carregar pedras. Queremos o castelo.

as sufragistas

 

 

4 comentários em “O direito de existir

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