No quadrado de Maura

Bom tirar a poeira do blog com alguém que chega despretensiosamente e te arrebata. Eu não conhecia nada desta contista, até que ela me veio pelas mãos da Célia Musilli. E foi a forma mais instigante de saber de Maura Lopes Cançado, não pela falta, mas pelo excesso. Não pelo foco, mas pelo enquadramento.

Foi assim que ela me foi apresentada: não se falou da  escritora Maura pelo mais raso: a sua doença mental, as suas internações, a biografia polêmica. Não se martelou o que faltou à poeta: bom senso, racionalidade, equilíbrio, mas sim do seu transbordamento, do que jorrava de suas palavras, enquanto era interna de hospícios.

E dessa forma, pelos títulos dilacerantes – “Hospício é Deus”, “Rosa Recuada”, “O sofredor do ver”, “No quadrado de Joana” – pelo jogo de palavras, pela escrita refinada, pelos temas universais, ficou o encantamento. Ficou a admiração por alguém que optou pela curva da pétala, mesmo que obrigada a seguir em linha reta:

“Como fazer pra explicar que está enquadrada num novo tempo? Não pode sequer dar meia volta. Precisa poupar-se, conservando a forma. Entretanto, precisa explicar o que só ela entende. Puseram-na quadrada, certa, objetiva, num tempo novo, forte, mas ameaçado até por flores. Sim, Joana será vencida na curva de um pétala.”

Maura

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