Os bons fluidos da Professora Indelicada

Texto originalmente escrito para a rede Professores transformadores

Ao contrário da imagem angelical, da “tia” carinhosa e acolhedora, é uma Professora Indelicada(https://goo.gl/7iV77R) que faz sucesso no Facebook. Sem papas na língua, esse personagem fictício usa a rede social para rir das mazelas do Magistério e desconstruir o estereótipo em torno dos profissionais que educam.

 

Pouco se sabe sobre quem está por trás desse personagem: apenas que a mentora é uma professora do Ensino Fundamental e do Médio, tanto do sistema público quanto do particular. Se a autora opta por esconder sua verdadeira identidade, o seu posicionamento em relação ao ofício de ensinar é bem claro: “Professores, esta página não vos iluminará ou afagará com postagens fofas, rosas, frases de efeito. Não vamos enaltecer as alegrias da profissão, que são muitas, apesar de… TUDO. Se acostumem!”, disparou aIndelicada, em uma de suas últimas publicações.

 

Até que ponto a Professora Indelicada tem razão? Será que rir de si mesmo é uma boa estratégia para aliviar o peso dos problemas do Magistério? Ou usar esse humor cáustico esvazia o debate em torno de questões sérias e urgentes da Educação?

 

Os números indicam que as estratégias da idealizadora do personagem caíram no gosto popular: 223.527 pessoas já curtiram a página da Professora Indelicada, que, nos últimos tempos, tem recebido mensagens de educadores denunciando alguns desafios da prática docente, como uma profissional que sofreu um boicote da família de um aluno, depois que se ausentou da sala de aula por adoecimento. A Professora Indelicada tem reportado as queixas e aberto o espaço para opinião e debate entre educadores. Nesse sentido, observa-se que a personagem vem criando um rico diálogo entre os professores, identificados com reclamações que, às vezes, são também da sua rotina como educadores.

 

Além desse fórum virtual criado pela Professora Indelicada, a opção pelo humor ferino pode ser uma saída interessante para expor os dilemas da Educação. Não é possível sorrir diante do contracheque: o Piso Nacional do Magistério não é cumprido pela maioria dos Estados. Também não se pode gargalhar com a seguinte manchete: “Renda extra: Professores e garçons estão entre os bicos mais buscados” (https://goo.gl/P4tsVp).

 

Mas, também, não se pode sentar na calçada e esperar por uma mudança nos planos de carreira e de salários, tampouco pela valorização simbólica do professor, em curto prazo. Diferentemente disso, podem-se criar redes de apoio entre os profissionais, conhecer as pautas dos movimentos sindicais da categoria, divulgar pesquisas sobre a carreira docente e, no fim das contas, porque ninguém é de ferro, também se divertir com aquele aluno que pergunta: “Professora, hoje vai ter alguma coisa importante na aula?!”

meme pronto

(Fernanda Castro é mãe, mulher e menina. Pequenina e gigante. Mezzo educadora, mezzo comunicadora. Mestre em Educação, graduada em Jornalismo, pesquisa EaD, Comunicação, Tecnologias e Redes Sociais.)

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