Arquivo mensal: junho 2016

Portugal: dia 3

Hoje fomos de A a Z, um dia de passeios bem variados

Pontos turísticos: bairro da Alfama, Castelo de Sao Jorge, Fatima e Obidos.

Sabores:ginja, licor  tipico de Obidos, feito a partir de uma fruta similar à cereja, e paella do Solar dos presuntos.

Autores: Jose Saramago, um sonho antigo. Há quatro anos, voltei de Lisboa frustrada por não ter podido visitar o memorial que homenageia a vida e a obra do escritor. Dessa vez, me realizei e foi uma emoção ímpar!

Portugal: dia 2

Dia de conhecer os arredores de Lisboa. Contamos com o auxílio luxuoso do guia Antonio, que nos apresentou os mais bacanas recônditos das cercanias da capital portuguesa.

Pontos turísticos: torre de Belém, monumento do descobrimento, mosteiro dos Jerônimos, Sintra e Cascais

Sabores: pastel de Belém na mais antiga pastelaria de Lisboa, sardinhas na brasa, e travesseiros, doce típico portugues, também em Sintra

Autores: Luís de Camões, Os Lusíadas

Dizeres: em alguns momentos, o vocabulário é bem estranho aos nossos ouvidos, embora tenhamos a mesma língua. Onibus é autocarro, celular é telemóvel, condicionador de cabelos é amaciador, nota fiscal é faturinha.

Pequeninho e gigante, Portugal chegou, pro bem e pro mal, em varios pontos do mundo, incluindo a America do Sul e a Africa.

Enquanto se comenta um ato terrorista hoje, na Turquia, Portugal se orgulha de ser um dos cinco países mais pacíficos do mundo!

 

Portugal: dia 1

Trouxe pequenas memórias de uma passagem relâmpago por Lisboa. Quero voltar com a bagagem renovada.

Como somos três irmãs,temos poucos dias e inexperiência em viagens além-mar, apostamos nos cartoes-postais da cidade. E, ao fim do primeiro dia, digo que estou completamente perdida de amores por Lisboa!

A terrinha em versos: Luis de Camoes, Cesario Verde, Mario de Sá-Carneiro, Florbela Espanca e Fernando Pessoa

Lisboa em imagens e sabores: parque Eduardo VII, Rossio, Chiado, elevador Santa Justa, pasteis de nata, Garret 47

 

2 ou 3 coisas sobre ser 100% câncer

“Consta nos astros, nos signos, nos búzios

Eu li num anúncio, eu vi no espelho,

tá lá no evangelho, garantem os orixás…”

Pro bem e pro mal, sou 100% canceriana. Meus parcos conhecimentos de astrologia indicam que o que vale e influencia a personalidade da pessoa não é seu signo,mas seu ascendente. No meu caso, segundo um mapa astral que fiz há mil anos, em uma promoção de uma marca de chocolate, do tempo em que chocolate não tinha gosto de parafina (Olá, Samanta) : sou Libra. Mas, como Libra? Equilibrada? Sensata? Nada disso se parece comigo. Se meu ascendente picou a mula e me deixou a ver caranguejos, abracei o bichinho com todas as minhas forças e sigo feliz com meu signo.

Me reconheço perfeitamente nas características mais marcantes dos nascidos sob o signo de Câncer:  emotivos, carinhosos, protetores, obstinados, (às vezes mau humorados!). Sim, o canceriano muda de humor ao sabor do vento, e acredita que há uma legião de conspiradores armando contra ele. E não entre numa intriga com um canceriano. Ele dá um caranguejo pra não entrar numa briga e um mangue inteiro pra não sair dela – o que não é nada bonito, diga-se de passagem!

Também me identifico com aqueles que arrastam correntes, flerto com os góticos (alô, Clau), os que vivem com um pé no passado e resistem aos ebooks no lugar das folhas amareladas dos livros. Me abandone numa biblioteca, em meio a volumosas enciclopédias, e morrerei de felicidade. Me mostre a música que era a parada de sucesso no ano em que nasci e ficarei contente como se tivesse descoberto a pólvora. Me pague um cinema, em uma sala de rua, com pipoqueiro na porta e um lanterninha me conduzindo até minha poltrona, e eu não vou querer outra vida.

O canceriano é esse velho fingindo ser mocinho, mega rabugento, mega dramático, mas doce, como todo vovô sabe ser.

canceriano

 

O vinho vem, o sexismo também

Reunimos, dois casais, quatro amigos, para comemorarmos o Dia dos Namorados. Escolhi um restaurante italiano, com um cardápio especialmente preparado para os pombinhos. Chegamos primeiro que o casal amigo e fomos recebidos por um jovem garçom, que explicou o funcionamento da casa, a opção por respeitar a gastronomia italiana e não misturar pratos (ô, lá em casa…) como massas e carnes. O restaurante seleciona ingredientes frescos e blá, blá, blá, blá, blá,blá, ti-ti-ti-ti-ti-ti-ti.

Tava tudo muito bom, tudo muito bem… até que pedimos a carta de vinhos, para escolhermos uma bebida que combinasse com aquele jantar romântico. O sommelier veio à mesa e nos indicou três opções. Não somos muito entendidos, apenas nos deliciamos com um vinho bom a cada sexta-feira, mas não temos conhecimentos avançados de harmonização, de bebida encorpada, de origem das uvas, de sabores frutados e outras frescurites. Gostamos especialmente do prazer de ficarmos altinhos e do resultado da bebida: “o vinho desce, as palavras sobem”.

Nesse meio tempo, nossos amigos chegaram, admiramos a casa e eu especialmente um quadro de frente para nossa mesa, com a indefectível bota que faz da Itália esse país tão popular. Conversamos rapidamente sobre o cardápio e escolhemos o vinho, de comum acordo, entre as três opções que o sommelier havia sugerido.

Aí veio a nota triste da noite romântica. Não que o fato tenha estragado o jantar, mas tirou um pouco o brilho da comemoração, ao menos pra mim. O sommelier trouxe a garrafa e fez aquele protocolar procedimento em que o cliente degusta o vinho antes de aprová-lo. Penso aqui com meus botões se já houve alguém que virou para o cabra e disse: “não gostei, abra outra garrafa”. Deve haver, esses enólogos da vida devem se prestar a isso, mas não era o nosso caso, naturalmente.

Então, o vinho foi despejado na taça e o sommelier imediatamente estendeu a bebida para meu amigo, ignorando todos os outros três clientes da mesa. A etiqueta (tsc) diz que quem aprova a bebida e dá o veredicto é a pessoa que escolhe o vinho. Bem, na nossa mesa, escolhemos coletivamente, então, essa regra não valia pro nosso quarteto. Eu senti um certo desconforto, mas meu amigo, muito gentil, passou a taça para mim e perguntou se eu queria aprovar a bebida. Fiquei com aquela cara de indecisa, se transgredia ou não o protocolo, porque, afinal, estava na cara que o sommelier não considerou as duas mulheres da mesa como aquelas que poderiam dar a cartada final sobre o vinho. Movida de constrangimento, eu provei e aprovei o vinho, e o jantar seguiu seu curso.

Talvez se meu amigo não tivesse furado o protocolo, ignorado o sommelier e estendido a taça para mim, eu nem me desse conta dessa invisibilidade feminina na escolha da bebida. Mas, não deixa de ser estranho que um restaurante fino, da zona sul da capital, com muitas estrelas nos guias gastronômicos, não atente para essa indelicadeza, para usar um eufemismo. E não me parece uma exceção: pode ser que estejamos frequentando lugares conservadores, mas sempre que pedimos um vinho em um restaurante bacana, a decisão sobre a escolha  é dirigida ao meu marido.

Não é nada, não é nada, mas significa.

vinho

 

Muito ajuda quem não atrapalha

Os depoimentos do apresentador Luciano Huck, durante a transmissão do jogo Brasil x Haiti, causaram a ira da população haitiana que migrou para o Brasil. Em vários grupos e páginas que acompanho, o apresentador deixou um gosto amargo na boca dos haitianos, ao falar suas impressões sobre o país, destacando a miséria da população.

Para completar o estrago, o apresentador redigiu uma crônica para  O Globo,   que começa retratando a seguinte cena: “Ele estava completamente nu. Não tinha mais do que 4 anos. E nu, brincava no meio do esgoto, descalço, na companhia de 3 ou 4 porcos que faziam o mesmo”.

O país mais pobre do continente americano foi devastado por um terremoto em 2011, vive uma crise política séria e padece com a má-fé de algumas ONGs que procuram o Haiti não para ajudar, mas para desviar os recursos financeiros que nunca chegam às mãos da população tão calejada. Com tantos problemas sérios, não é preciso que as mazelas do país sejam escancaradas em rede nacional de TV, aumentando a desconfiança e o preconceito em relação aos imigrantes que vivem no Brasil.

Não que o apresentador tenha mentido, mas as falas, duras, mexeram com os brios da população haitiana. Tocaram em feridas e deixaram aquele sentimento, “por que mostrar o lado mais precário do país”, e não valorizar as iniciativas sérias e que vêm dando alento à região, que precisa tanto de um fôlego pra se reerguer?

E a revolta vai virando uma bola de neve, com os haitianos saindo na defensiva e devolvendo na mesma moeda, apontando as condições precárias das favelas, a pobreza do Nordeste e outros impasses do Brasil.

Como o que começa errado nunca acaba certo, a participação do apresentador no jogo, no qual o Brasil venceu por 7 a 1, o que não é nenhum mérito, visto que os investimentos de um país e outro no futebol são tão díspares, levou o nome de Huck para os TT´s do Twitter. Você pode pensar que os internautas resolveram se posicionar sobre as falas do apresentador, gerando um rico debate sobre a situação do Haiti. Qual o quê! A manifestação brasileira foi simplista e rasteira. A queixa geral foi a participação de um apresentador comentando futebol, mesmo que o Huck só tenha apontado as mazelas do Haiti, sem manifestar qualquer palpite sobre o desempenho das equipes de futebol.

Ou seja,  uma fala descontextualizada e alarmista sobre o Haiti se desdobrou em um debate vazio e desnecessário de brasileiros no Twitter e uma revolta generalizada dos migrantes que vivem aqui. Se falta tanta coisa no Haiti, no Brasil também temos escassez. Não encontramos aqui: prioridades, empatia, solidariedade e bom senso.

Na foto, do MigraMundo, haitianos comemoram o dia da bandeira, em São Paulo

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Junho: todo sentimento

Vim ao mundo no vigésimo quarto dia deste mês marcante, que inaugura o inverno, que celebra os Santos, os namorados, as fogueiras, as sanfonas e os balões. Nasci neste mês, que é o começo do fim do ano. É ponto de partida para o segundo semestre, é marco zero para segunda metade do ano.

Além de ser um mês muito festivo, junho tem gosto de infância e cheiro de canjica grossa.

Tem as cores das bandeirolas

Tem a música dos acordeons

Tem o xadrez dos vestidos de quadrilhas

Tem o gosto do pé-de-moleque

Tem as mãos firmes de vovó Dota, folheando revistas e fazendo grude para colar as bandeirolas

Tem o calor das fogueiras e as centelhas rodopiando pelo ar, “como menininhos indo para a escola”, dizia minha avó

Tem Gilberto Gil cantando, “por isso eu vou na casa dela, ai, ai, falar do meu amor pra ela, tá me esperando na janela, não sei se vou me segurar…”, e a gente se sentindo a própria forrozeira

Tem as quadrilhas e o frisson de encontrar o par perfeito para o grande baile

Tem os preparativos para o aniversário e as indefectíveis encenações do casamento na roça

Tem o cabelo amarrado com as marias-chiquinhas e as pintinhas desenhadas no rostoquadrilha

Tem São João, filho de Isabel, Santo Antônio casamenteiro e São Pedro, com a chave do céu.

Tem a névoa das manhãs e o coração aquecido, acreditando que depois de junho, daqui pra frente, tudo vai ser diferente!