Junho: todo sentimento

Vim ao mundo no vigésimo quarto dia deste mês marcante, que inaugura o inverno, que celebra os Santos, os namorados, as fogueiras, as sanfonas e os balões. Nasci neste mês, que é o começo do fim do ano. É ponto de partida para o segundo semestre, é marco zero para segunda metade do ano.

Além de ser um mês muito festivo, junho tem gosto de infância e cheiro de canjica grossa.

Tem as cores das bandeirolas

Tem a música dos acordeons

Tem o xadrez dos vestidos de quadrilhas

Tem o gosto do pé-de-moleque

Tem as mãos firmes de vovó Dota, folheando revistas e fazendo grude para colar as bandeirolas

Tem o calor das fogueiras e as centelhas rodopiando pelo ar, “como menininhos indo para a escola”, dizia minha avó

Tem Gilberto Gil cantando, “por isso eu vou na casa dela, ai, ai, falar do meu amor pra ela, tá me esperando na janela, não sei se vou me segurar…”, e a gente se sentindo a própria forrozeira

Tem as quadrilhas e o frisson de encontrar o par perfeito para o grande baile

Tem os preparativos para o aniversário e as indefectíveis encenações do casamento na roça

Tem o cabelo amarrado com as marias-chiquinhas e as pintinhas desenhadas no rostoquadrilha

Tem São João, filho de Isabel, Santo Antônio casamenteiro e São Pedro, com a chave do céu.

Tem a névoa das manhãs e o coração aquecido, acreditando que depois de junho, daqui pra frente, tudo vai ser diferente!

 

2 comentários em “Junho: todo sentimento

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