Muito ajuda quem não atrapalha

Os depoimentos do apresentador Luciano Huck, durante a transmissão do jogo Brasil x Haiti, causaram a ira da população haitiana que migrou para o Brasil. Em vários grupos e páginas que acompanho, o apresentador deixou um gosto amargo na boca dos haitianos, ao falar suas impressões sobre o país, destacando a miséria da população.

Para completar o estrago, o apresentador redigiu uma crônica para  O Globo,   que começa retratando a seguinte cena: “Ele estava completamente nu. Não tinha mais do que 4 anos. E nu, brincava no meio do esgoto, descalço, na companhia de 3 ou 4 porcos que faziam o mesmo”.

O país mais pobre do continente americano foi devastado por um terremoto em 2011, vive uma crise política séria e padece com a má-fé de algumas ONGs que procuram o Haiti não para ajudar, mas para desviar os recursos financeiros que nunca chegam às mãos da população tão calejada. Com tantos problemas sérios, não é preciso que as mazelas do país sejam escancaradas em rede nacional de TV, aumentando a desconfiança e o preconceito em relação aos imigrantes que vivem no Brasil.

Não que o apresentador tenha mentido, mas as falas, duras, mexeram com os brios da população haitiana. Tocaram em feridas e deixaram aquele sentimento, “por que mostrar o lado mais precário do país”, e não valorizar as iniciativas sérias e que vêm dando alento à região, que precisa tanto de um fôlego pra se reerguer?

E a revolta vai virando uma bola de neve, com os haitianos saindo na defensiva e devolvendo na mesma moeda, apontando as condições precárias das favelas, a pobreza do Nordeste e outros impasses do Brasil.

Como o que começa errado nunca acaba certo, a participação do apresentador no jogo, no qual o Brasil venceu por 7 a 1, o que não é nenhum mérito, visto que os investimentos de um país e outro no futebol são tão díspares, levou o nome de Huck para os TT´s do Twitter. Você pode pensar que os internautas resolveram se posicionar sobre as falas do apresentador, gerando um rico debate sobre a situação do Haiti. Qual o quê! A manifestação brasileira foi simplista e rasteira. A queixa geral foi a participação de um apresentador comentando futebol, mesmo que o Huck só tenha apontado as mazelas do Haiti, sem manifestar qualquer palpite sobre o desempenho das equipes de futebol.

Ou seja,  uma fala descontextualizada e alarmista sobre o Haiti se desdobrou em um debate vazio e desnecessário de brasileiros no Twitter e uma revolta generalizada dos migrantes que vivem aqui. Se falta tanta coisa no Haiti, no Brasil também temos escassez. Não encontramos aqui: prioridades, empatia, solidariedade e bom senso.

Na foto, do MigraMundo, haitianos comemoram o dia da bandeira, em São Paulo

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