Arquivo mensal: julho 2016

Janis Joplin: pequenina e gigante

Assistir a Janis Joplin na sala escura, na telona, é conhecer os dilemas da cantora em alta voltagem. O documentário é linear, apresenta a trajetória da artista desde antes da fama até o desfecho trágico, embora anunciado.

Apesar de a fita se desenrolar em ordem cronológica, eu, espectadora, fiquei os cento e vinte minutos alimentando a ilusão de que sua história pudesse dar uma reviravolta e Janis Joplin optasse por voltar no tempo e não sucumbir à última viagem ao mundo das drogas, a que a levou pra eternidade.

Não raro, fazemos essa torcida inútil pelos grandes artistas. Assistimos atônitos à partida de grandes nomes como Amy Whinehouse, estrela internacional, e também dos brazucas, Elis Regina, Cazuza e Cássia Eller.

Todos eles, assim como Janis Joplin, com um grande dilema diante da fama. O paradoxo de ter milhares de fãs como seguidores e a solidão de voltar pra casa sozinho.

Todos pagando um alto preço por não se enquadrarem nos padrões: gigantes nos palcos e pequeninos entre quatro paredes. Artistas vagando no labirinto da Alice no País da Solidão.

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Me devolva o ar!

Nenhuma doença é agradável, mas algumas se superam nos incômodos e no desafio de cura que impõem à medicina. Fui “premiada” com um desses males, a asma, uma doença que é tão irritavelmente desconfortável que é chamada de “bronquite”. Nada mais do que um eufemismo pra mascarar a face dessa senhora doença maquiavélica.

O que mais me intriga é o nível de astúcia da senhora asma. Na minha infância sofri com crises recorrentes de chieira no peito, tosse e falta de ar. Na minha adolescência passei pelo mesmo dissabor, assim como na juventude. Xaropes, simpatias, garrafadas, vacinas, testes de alergia e bombinhas em profusão, cheguei à vida adulta e finalmente passei um longo período sem me lembrar daquela doninha indesejável. Mas, doce ilusão: esse ano ela veio me visitar, e com todos os requintes de uma hóspede que chega sem ser convidada: tomou meu corpo numa madrugada fria, depois de duas garrafas de vinho bebidas, entre outros motivos, para esquentar os pulmões – que ironia !

Imagina a tensão de acordar com o peito chiando como um balaio de gatos, a respiração curta, o coração disparado e a sensação de não encontrar o ar. Agora imagina o nível de adrenalina quando, além da tensão, você descobre que não tem uma bombinha a tiracolo. Toca acordar o marido de madrugada, pedindo encarecidamente que te leve a uma farmácia e encontre uma espécie de detefon pra dar fim àquela visita indesejável.

No trajeto de meia-hora até a drogaria, acredito que tive pequenas mortes, com a senhora asma me acenando que não é de brincadeira. Bombinha colocada apressadamente na boca, spray acionado e o Clenil descendo redondo, como o primeiro copo de uma cerveja gelada ou uma taça de champanhe borbulhante. Minutos depois, a gritaria do peito cessa, o ar vai retomando seu ritmo normal, o coração desacelera e dentro dos pulmões parece que nada diferente aconteceu.

Mas, não há mais ilusão: a senhora asma é falsiane e como traiçoeira que é, vai voltar, quando você menos imaginar…

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Portugal: dia 8

Útimo dia da viagem. Passei a manhã na Universidade do Porto, no seminário que motivou a ida a Portugal. A Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação tem uma biblioteca super aconchegante e perdi a primeira meia-hora do seminário porque fiquei curtindo aquele pedacinho do paraíso. Depois, debates e a apresentação do meu artigo.

A tarde foi de despedida, de comprar os últimos presentinhos, de almoçar o derradeiro banquete, de saborear o ultimo vinho e de encerrar a farra com o indefectível pastel de nata.

Vastas emoções: curtir o rio Douro visto do outro lado da Ribeira, em Gaia, também é lindo. Sempre necessário perceber o mundo sob um outro ponto de vista.

Até outro dia, gostava de dizer que não via sentido em visitar um lugar mais de uma vez – aquele senso utilitario que nos engana e nos envolve com a ideia de que o mundo é grande e não se pode perder tempo repetindo passeios.

Mas,felizmente, sempre há um Saramago pra te fazer pensar diferente. O escritor diz algo assim: é bom voltar e perceber um lugar com outros olhos – ver uma cidade de dia, quando já se viu de noite, visitá-la no verão, ao invés do inverno, perceber uma pedra pra qual não se tinha atentado…

Até uma próxima, Portugal!

Portugal: dia 7

O domingo passamos em Braga e Guimarães. O passeio começou eletrizante porque, contrariando a tradição, as mineiras perderam o trem! Nada que uma horinha na linda estação de Campanhã não resolva. E assim fizemos e tudo resolvido, embora tenhamos ficado com a reputação arranhada com esse episódio: perder trem é inconcebível pra quem nasceu nas Minas Gerais!

Vastas emoçoes: o atendente da estação ficou inconformado com o fato de termos perdido o “comboio”, bem teatral, ele quase chorou diante de nós

Guimarães é reconhecida como o local de fundação de Portugal, a 24 de junho, dia do meu nascimento. Por isso celembram o São João no país.

Minha avó materna era Cremilda Guimarães, então, quis acreditar que minhas raízes estão de alguma forma ligadas a essa simpática cidadezinha!

 

Portugal: dia 6

Início do fim da viagem. Dia de curtir o Porto vagarosamente. Começamos pelo Mercado do Bolhão, passeamos de elétrico pelo rio Douro e terminamos o dia no Café Majestic, de 1921.

Vastas emoções: o Majestic é celebrado pelos portenhos como o segundo café mais bonito do mundo. Lembra a Confeitaria Colombo, no Rio de Janeiro.

Sabores: tapa no Mercado do Bolhão, comi sardinhas e degustei vinho do Porto, afinal, estou em Porto!

Momento majestoso: reportagem de 1923 destacava a suntosidade do Café Majestic para a sociedade portenha

Portugal: dia 5

Hoje foi dia de curtir o cais do Porto. Navegamos pelo rio Douro, almoçamos às margens dele e depois subimos as vielas da cidade.

Vastas emoções: os becos e as vielas lembraram Ouro Preto, assim como as hordas de turistas fazendo conexões com passado e presente.

Dizeres: “sítio” quer dizer local. Então, pode ser bairro, cidade, rua e todas as outras variações.

Sabores: bacalhau com broa de milho, do Restaurante Abadia do Porto. O que dizer desse prato, recomendado pelo meu amigo português, Pedro Rui?  Não posso dizer nada, porque ainda estou catatônica: é divino!

Portugal: dia 4

Hora de despedir de Lisboa e rumar para o Porto, de trem. Já tinha uma expectativa grande, mas aumentou minha vontade de chegar aqui, quando soube que São João, santo do dia do meu nascimento, é o padroeiro da cidade. Já virei amiga de infância do Porto, que se ergueu às margens do rio Douro.

Um trabalho de última hora me impediu de curtir intensamente o primeiro dia aqui, mas a partir de hoje vou recuperar as horas perdidas!

Sabores: francesinha, um prato típico de Porto. Um super sanduíche – recheado de queijo, presunto, salsicha, acompanhado de ovo, se o freguês preferir -, de comer ajoelhado!

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A bola rolou: chegamos no dia da partida Portugal x Polônia, pela Eurocopa. A vitoria do Portogallo veio suada, nos pênaltis, e foi uma festa!