O professor Domingos

A morte do ator Domingos Montagner, afogado no Rio São Francisco, abalou todos nós. Como fã que era, li as muitas reportagens que foram publicadas sobre a trajetória dele porque intuía que ele era um ator diferenciado, especialmente por ter começado a atuar pelo circo. Lá no pé de página de uma das matérias, porém, descobri o real motivo de ele ser tão especial: antes de galã da novela, ator de teatro e artista circense, Domingos Montagner foi professor.

Formado em Educação Física, deu aula por dez anos em São Paulo, sua cidade natal. Talvez essa passagem da vida dele seja menos relevante para a maioria dos fãs e para a grande mídia, que reportou seus anos pelo Magistério superficialmente. Mas para quem é professor isso pode ser estimulante. Mesmo com o pouco que a imprensa divulgou sobre seu lado educador físico, dá juntar uma menção aqui, outra acolá, destacar um ou outro trecho de uma entrevista e compor o perfil do Montagner professor: um profissional dedicado e que valorizava o Magistério.

Dá para perceber que ele tinha orgulho de ter começado sua vida profissional nas quadras esportivas de uma escola. Também deixou transparecer que era um professor empenhado em trazer inventividade para as aulas de Educação Física, tanto que foi para aprimorá-las que enveredou pela arte circense. A educação saiu dele, mas ele nunca saiu da educação é a impressão que o ator passava ao rememorar sua época de professor.

Mas nada como ouvir um aluno para se conhecer um educador. Em um depoimento emocionado, a jornalista Manuela Aquino, que foi sua aluna 25 anos atrás, conta que ele formava, com um professor de música, “uma dupla maravilhosa de mestres cheios de ideias inovadoras”.

Continuando, a jornalista recorda: “Domingos nos acompanhou nos melhores momentos daquela rotina das sete ao meio dia. Ampliou nossas experiências para além da sala de aula e foi com a gente aos melhores passeios (minha primeira vez no Parque do Ibirapuera. A gente jogou basquete e subiu em árvores) e excursões (as cachoeiras de Paranabiacaba e ele se pendurando no cipó). Quebrou o protocolo escolar quando deu dança afro e inovou ao ligar o som no último para uma aula de lambada (…). Seu sorriso enorme e branco acompanhou nossas melhores gargalhadas”.

Ao encerrar o depoimento, a jornalista afirma que se tivesse a chance de reencontrá-lo diria: “Fui sua aluna, você se lembra? Foi inesquecível aquela época na Pacaembu. Você tem noção de como foi um professor incrível e que todos seus alunos se lembram de você com carinho?”.

Não tem legado maior para um professor do que ser lembrado com carinho por seus alunos. Que Domingos Montagner seja inspiração para todos nós, em nossa aventura diária de educar!

domingos

Foto: Jornal Extra/Globo

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