Vim, vi e perdi

Dias 7 e 8: Roma

Ainda que eu quisesse ignorar, acordei em Roma com a notícia-bomba de que Donald Trump é o novo presidente dos Estados Unidos da Améria. Perdi mais uma vez, perdemos todos: foi eleito um xenófobo para governar a nação mais poderosa do mundo.

Lamento especialmente pelos imigrantes, não tenho parâmetros, mas as ruas romanas estão apinhadas de vendedores ambulantes, a imensa maioria homens, jovens e negros.  Vendem quinquilharias, passam o dia pelas ruas, têm um semblante de desperança. Imagino onde vivem e se vivem em algum lugar para além da rua. Serão cada vez mais invisíveis e desrespeitados na era Trump, um declarado senhor que ignora os direitos humanos.

Mas, vida que segue, agora cada vez mais à direita. Diferentemente, foi virando à esquerda que me deparei com o Coliseu! Roma é assim: um monumento em cada esquina e é impossível não ficar mexido diante de um dos cartões-postais mais famosos do mundo, onde o lema era o do imperador Júlio César: vim, vi e venci!

A noite foi em Trastevere, o bairro boêmio de Roma. É um charme, e jantamos em um restaurante típico, com uma comida maravilhosa! Mas, como nada é perfeito, o taxista nos usurpou na volta, não zerando o taxímetro e nos obrigando a pagar a nossa e a corrida anterior. Esse está ainda com as mãos sujas, ao invés da campanha pela limpeza da corrupção do país.

A terça feira foi de turismo religioso. O Vaticano também é empolgante, mas tanta suntuosidade constrange. Tudo é superlativo, tem muitos visitantes e o Museu do Vaticano é enorme, com muitas, muitas salas, ainda que você opte pelo roteiro de visitação menor.

O teto da Capela Sistina, pintada por Michelângelo, a menina dos olhos do museu, mal pode ser admirada. Há uma recomendação recorrente dos guardas da sala, “no foto”, “no foto”, o que inibe e desconcentra. É aquela arte inatingível e que te frustra de alguma maneira: muito perto e muito longe, superlativo e paradoxal.

Pra arrematar, almoço no Mercado Central de Roma: comi um ravioli de carne maravilhoso. Fim de noite foi numa trattoria, também muito simpática, mas a temporada romana se encerrou com uma pontinha de tristeza: não vimos o papa. Tudo bem, diferentemente do Michelângelo, do papa Francisco todo mundo se sente próximo, mesmo distante.

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