Arquivo mensal: dezembro 2016

Elis lado B

Pimentinha penso que é um bom resumo da Elis Regina da cinebiografia de Hugo Prata. Na telona, a Elis é pimenta, mas menos picante do que nas páginas do livro Nada será como antes. O filme mostra uma cantora mais parecida com a mulher brasileira, o que cria uma grande identificação. A Elis afetada, histérica, deslumbrada, ficou nos bastidores. Tem, naturalmente, a Elis corajosa, irônica, competitiva, mas salta aos olhos a  mãe de primeira viagem, insegura, angustiada com o show business, doce e generosa com os músicos iniciantes.

Junto a isso tem a interpretação de Andréia Horta, que não só me fez acreditar que estava a seis graus de separação da Elis reencarnada, como também que, em determinados trejeitos, Maria Rita, a caçula da artista, entrava em cena. O sorriso, os braços girando no palco, o cabelo curtinho, o olhar. Incrivelmente convincente!

E, claro, a trilha sonora. Que história não fica encantadora embalada por Arrastão, Como nossos pais, O bêbado e o equilibrista, Fascinação? O enredo só fica mais bonito porque a cinebiografia mostra a amizade sincera da cantora com Lennie Dale, coreógrafo e bailarino norte-americano. Ser a maior cantora do Brasil e ter um amigo gay pra te ensinar a rodopiar no palco e na vida é muita sorte. Sorte que só brinda os iluminados!