Arquivo mensal: fevereiro 2018

Patty & Nanda

Minha prima Patrícia faz aniversário hoje. E, quando chega 28 de fevereiro, sempre lembro da gente em aventuras dessas que só são possíveis compartilhar em parceria, com alguém muito próximo, muito chegada e companheira!

Muitas vezes, encontramos esse amigo-de-fé-irmão-camarada no meio dos primos. São com eles que, normalmente, dividimos a infância, a adolescência e a juventude. Na fase adulta, já não é a mesma coisa. As contingências da vida fazem cada um tomar um rumo. Encontramos menos, nos divertimos menos, somos mais caretas, atolados em responsabilidades e a convivência é menos frequente.

Mas nas primeiras décadas de vida, não. As viagens mais gostosas, as festinhas mais interessantes, os passeios mais divertidos, as primeiras transgressões sempre têm um primo como cúmplice. Com a Patty foi assim. Éramos unha-e-carne nas brincadeiras de casinha – sempre vizinhas de porta, e belas, recatadas e do lar… Também éramos parceiras nas nossas fantasias de professoras, muito dedicadas aos nossos alunos e empenhadas em mudar a educação do país.

Quando viramos mocinhas, formamos um trio da pesada, com o reforço da minha irmã Alexandra, que não curtia brincadeiras de criança e só chegou ao grupo depois. Fomos a muitas festinhas juntas, a muitos festivais de música, a muitos shows…Mas, passado um tempo, eu sobrei porque Alexandra e Patty eram mais prafrentex e começaram os namoricos. Eu era mais pateta e fiquei pra trás.

Depois, esse descompasso desapareceu. Alexandra tomou a dianteira e eu e Patty voltamos a ser unha-e-carne novamente. Fui madrinha de seu casamento civil, uma cerimônia em que só há um par de testemunhas, o que me encheu de alegria!

Mas o fato mais emblemático de todos esses anos em que andamos uma ao lado da outra  foi a Patty ter sido co-pilota em minha estreia com habilitação de motorista. Foi essa prima corajosa que me acompanhou ao Detran quando minha carteira tinha acabado de sair do forno. Obviamente, foi uma viagem de terror, pois eu era uma motorista inexperiente e dirigia mal pra caramba.

Ainda assim fomos juntas avenida Amazonas afora, enfrentando os busões, as buzinas, a poluição e toda a ira daqueles que estão se lixando pra quem encara o trânsito de uma cidade grande pela primeira vez…Pouco nos importou. Naquele trajeto, sentíamos uma confiança inabalável, que só temos quando estamos ao lado de uma companheirona. No melhor estilo nada poderá nos deter, naquela viagem ritual de passagem, fomos parceiras como nunca, curtimos um enredo cinematográfico e vivemos nosso momento Thelma & Louise!

thelma e louise

De lama e de luta

O carnaval de BH é pra cair na lama, mas também na luta. São muitos as bandeiras bacanas levantadas pelos blocos. Mas vou citar só cinco delas, que merecem registro e aplausos:

  • O Bloco Bruta Flor saiu na frente e já mostrou a que veio. Desfilou no último domingo de janeiro, falando de feminismo, sororidade e empoderamento.
  • O Então Brilha, que desfila nas imediações da Guaicurus, região onde trabalham prostitutas, vai ter uma ala só para essas profissionais. Mais do que merecido dar visibilidade a essas trabalhadoras tão excluídas, afinal, como diz o poema do russo Maiakóvski, que inspira o bloco, “gente é pra brilhar” .
  •  O Alô Abacaxi também dará visibilidade a outro grupo marginalizado, os  LGBTIQA. Por isso, escolheu como local de cortejo, o Barro Preto, nos arredores da Praça Raul Soares, por considerar a região como símbolo de ocupação e de resistência da classe. Na página, está explicado que os abacaxis querem mostrar que se trata de um”cenário de ocupação da cidade, não só como ponto de lazer”, mas, principalmente, problematizar “as questões sociais envolvidas, como a prostituição, o tráfico de drogas, a violência urbana, a resistência das minorias frente ao preconceito, ao julgamento da sociedade, à discriminação”.
  • O Todo Mundo Cabe no Mundo já nasceu de luta. Desde o início tem o propósito de ser inclusivo, abrindo os braços para a diversidade e acolhendo os cadeirantes, os portadores de síndrome e de necessidades especiais. Bola super dentro, porque outros blocos seguiram o exemplo e também já colocam alas inclusivas em seus cortejos, como contou direitinho a Patrícia Cassesse nesta matéria.
  • E cabe também luta pro carnaval sair do miolo. Um dos que puxou o bloco pra descentralização da folia foi o Du Pente, que organizou, contagiou e vai fazer acontecer o carnaval do Barreiro. U-hu!

 

bruta flor

Minha casa, minha vida

Encontrar um filme bacana, partindo do nada, no meio das centenas de opções da Netflix é tarefa dura. É como ficar diante das opções do self-service: bate aquela dúvida sobre o que saborear. Você escolhe  por alto, lendo  as poucas linhas da descrição do prato, mas se depois da primeira garfada  não era aquilo que você tinha sonhado, dá aquela frustração! Ontem, porém, contrariando todas as probabilidades de me dar mal,   fui bem sucedida nessa missão…

Ruth & Alex não tem nada de superprodução. É um filme singelo, mas muito bem costurado, principalmente porque tem dois medalhões como protagonistas, Diane Keaton e Morgan Freeman. Eles são um casal à beira da velhice que vive o dilema de procurar uma nova moradia pra chamar de sua…Alguém falou casa? C-A-S-A? Ah, a palavra casa para uma canceriana como eu tem peso de ouro. Bingo! Não há nada que mais simboliza a essência desse signo do que o lar, doce lar!

ruth e alex

Alex, muito mais do que Ruth, sendo artista plástico, tem muito de geminiano, misturado ao charme do escorpiano. Mas, com certeza, tem ascendente em câncer. Mudar, para ele, deixando pra trás todas as memórias, todos os recônditos, as plantas do terraço, o ateliê de pintura e todos os lampejos de inspiração, os vizinhos de andar e até abrir mão da escadaria do prédio sem elevador é um golpe.

Mudar é saudável, é estimulante, é potente, mas dá trabalho. Imagina começar tudo novo, de novo? Redescobrir a melhor padaria, acostumar com os novos alaridos do prédio, socializar com os vizinhos outra vez…

Entre bater asas e fincar raízes, o canceriano escolhe sempre a segunda opção – pro bem e pro mal.