Arquivo mensal: julho 2018

#Partiunovaalegria

Mudar de casa para um canceriano não é uma tarefa tranquila. Não é escolher o novo endereço, encaixotar as coisas e contratar a empresa de mudança. Não é assim que funciona. Para os caranguejos, é um ritual de passagem e nem sempre sereno.

No meu caso, em que a mudança foi uma imposição e não um desejo, trocar de endereço tem sido, acima de tudo, muito doído. Quanto mais se aproxima o dia de fechar a porta e fechar um ciclo de vida, mais melancólica a mudança se torna.

Mas hoje, conversando com meus botões, alguma coisa me alentou: foram seis anos de uma casa muito festiva. A princípio, eu não queria esse apartamento porque achava que ele era demais para mim. Sabe a moradia dos sonhos? No início, antes de vir pra cá, tinha essa impressão, e no fim das contas eu não estava tão enganada. Ele não era pra mim mesmo, ainda assim, eu estive nele inteiramente, como se não houvesse o amanhã que chegou hoje.

A casa que começou sob o signo da desconfiança foi virando a casa da alegria. Teve, obviamente, os dias cinzentos, as contas pra pagar, as desavenças, a briga com o vizinho que destratou meu filho na primeira festa no salão do prédio… Mas esses dissabores foram fichinha perto dos bons momentos. Festeira que sou, fiz muitos cafés da tarde pra minha mãe e minhas irmãs. Recebi amigos de fora, lembram, Ju e Moniquinha? Comemorei aniversários, os meus, principalmente. Chamei os amigos para as comilanças e os vinhos. Teve festa pagã, mas também teve festa cristã. Rezamos alguns terços aqui nesta casa.

Foi aqui que o Henrique virou adolescente e, um dia, me dei conta de que ele já estava muito mais alto do que eu. Os amigos do filhote dormiram aqui diversas vezes, e era uma alegria quando a casa tinha uma horda de adolescentes…Foi aqui também que comecei a fase custosa de esperar a volta das festas de 15 anos, quando a casa virava uma imensidão sem fim.

Foi nessa casa que dependurei o quadro mais bonito e alegre na sala de visitas, arte do meu primo Fernando. Eu me enchia de energia a casa vez que eu me deparava com os bichos psicodélicos da tela. Foi neste endereço que minha varanda dava de frente para o luxo de uma praça, toda dia amanhecida com o alarido de crianças e cachorros. Também foi aqui que comecei um pequeno jardim que, como metáfora da vida, em umas fases foi viçoso e em outras murchou e perdeu o encanto.

gutierrez quadro

Vou levar muito disso comigo, naturalmente, não só os bens materiais como os imateriais. Mas agora vai ser outra história. O café desta casa nunca vai ser igual ao da próxima. Nem melhor, nem pior, mas diferente. Dá medo, mas não vou partir do zero. Construir outra casa alegre não vai ser inédito e eu tenho certeza que vai valer a pena ser feliz de novo!

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