Arquivo da categoria: Artes plásticas

O amor é o que fica

Publicado originalmente em 23 de maio de 2015

Conhecia pouco sobre Kandinsky, e também não sei nada de arte abstrata. O que tentei fazer [ao visitar a exposição Kandissnky: Tudo começa em um ponto] foi capturar algumas sutilezas da vida do artista e então gostei da faceta dele poeta, do interesse pela cultura popular e da relação afetiva com Gabriela Munter. Ela teria dito algo como, “depois de ter um professor como Kandisnky vai ser difícil acostumar com qualquer outro”.

E fiquei encantada com o tempo em que eles viveram nesta casa, uma espécie de xangrilá do casal, em Murnau, na Alemanha. O romance não vingou, Kandinsky casou de novo, mas tenho a impressão que foi o tempo em que ele foi mais feliz.

kandisnky

Pode não ser nada disso, mas o que ficou pra mim não foram as telas, as cores, o brilhantismo…o que me tocou é que, como sempre, o amor é a fase mais linda da história de todas as pessoas, das mais comuns às mais geniais

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Iberê e o trágico

“Entendo que a vida é uma caminhada. Os ciclistas de meus quadros são caminhantes, no fundo, sem meta. São seres desnorteados”, disse Iberê Camargo, numa referência às recorrentes magrelas pinceladas em seus quadros, que conheci ontem, na exposição “Um Trágico nos Trópicos”.

Não foi um dia propício pra conhecer essa fase do pintor – havia acabado de saber da morte de um conhecido, que foi ao limite, ao extremo, ao fundo do poço e não havia mola. Não deu mais pra se equilibrar sobre o selim da vida: estacionou a bike e saltou!

Então, atônita pela crônica dessa morte,  foi difícil me envolver e interagir com esse artista trágico. As telas, muito soturnas e desformes, se agigantavam diante de mim, trazendo bastante angústia.Só com muito custo consegui abstrair do trágico e enxergar alguns lampejos de vida ali. Talvez fosse esse o propósito dessa série do artista, confrontar nossos espíritos com essa dureza da vida.

Ao fim e ao cabo, a constatação de que não existe bússola para fazer a travessia. Vale a máxima de que a felicidade só se acha “nas horinhas de descuido”, como escreveu Guimarães Rosa. No mais, viver é essa triste sina de pedalar em busca de algum equilíbrio. Vento na cara, mãos soltas, corpo leve e curvas macias são pra poucos!

ibere