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Arroz de forno da redenção

Tem algumas comidas que são mais que alimento, são redentoras. O arroz de forno, por exemplo, se enquadra nesse grupo. Primeiro, porque é uma receita que não tem jeito de dar errado. Se você tiver uma lata de milho verde e uma massa de tomate: formô!

Segundo, porque é receita simples, que você pode incrementar a seu bel-prazer. Não precisa ficar apegada ao passo-a-passo, é só ir adicionando os ingredientes, fazendo as camadas, cobrir com muito queijo e aquecer… Descobri o prato com a Fal Azevedo, há muitos anos, quando a gente trocava receitas nos blogs. Ela fez um post tão saboroso de arroz de forno que nunca mais esqueci….Você sabe desse post, Fal?

Neste domingo, fiz arroz da redenção. E fiquei super feliz porque meu amigo Álvaro amou o prato, lembrando da sua avó, que preparava a receita. Tem isso também, é comida antiga, daquelas de outras gerações, que evocam lembranças, memórias afetivas. É um prato perfeito, que alimenta o corpo e a alma!

arroz de forno

Sob as bênçãos de Baco

O melhor do vinho é o balancê que ele faz no nosso corpo e na nossa alma. Todo mundo que já secou uma garrafa conhece os efeitos – aquela sensação de leveza, o riso que vem solto e as palavras que saem da boca sem a menor cerimônia…As pernas ficam bambas na medida exata – não a ponto de você perder a linha, mas suficiente pra tudo ficar muito mais bonito, atraente e saboroso porque a visão é aguçada e o paladar é apurado.

É possível experimentar isso tudo, sem saber quase nada do que está por trás da produção, pode ser até com o vinho em oferta que você encontrou na prateleira do supermercado… Mas o pulo do gato é que quando você descobre os bastidores, a aventura fica muito mais divertida, como explicou o amigo Túlio Mafra, na noite de vinhos que organiza de tempos em tempos. Os seis rótulos que degustamos foram harmonizados com um jantar pra lá de especial, preparado pela Maria Esperança, sua mulher. Imagina que combinação: ele escolhe os vinhos, ela seleciona e prepara o menu. E nós, os convidados, fazemos o “sacrifício” de experimentar o resultado dessa dobradinha…

Com esse lembrete inicial, começamos bem. O compromisso foi ter uma noite leve como o barato do vinho, ninguém com obrigação de  virar expert no assunto, muito menos se transformar em um enólogo prepotente, o enochato, como é popularmente conhecido.

Os dois primeiros vinhos foram brancos. A bebida da primeira garrafa, da África do Sul, é feita com a uva chenin blanc, tem gosto de fruta e aroma que lembra melão, pêra e goiaba branca. Como sou muito facinha, de cara simpatizei com o cabra. Veio acompanhado de mil folhas de palmito, com mousse de haddock defumado e ceviche de camarões. Como diria minha vó Dota, feito com tanto ingrediente bom, só pode ser ótimo, e foi.

Em seguida, a pedida foi  um vinho feito com a uva riesling. Fabricado na Alemanha, ele também tem sabor frutado e aroma que lembra pêssego e lima. O teor alcoólico é um pouco menor que o primeiro, então, é uma boa opção se você quer deixar as pernas somente levemente bambas. Degustamos junto de bruschettas de cogumelos e tomates, e sendo bruschettas fui imensamente contemplada porque é uma entrada que eu amo de paixão!

 

Aí, pra bagunçar o coreto, pois você já começava a se iludir que estava pegando a manha dos brancos, vem um vinho tinto. Chi-Chi-Chi-lê-lê-lê, Viva Chile! Produzido às portas do deserto do Atacama, é feito com uva pinot noir e tem sabor frutado, remetendo a framboesa, morango e cereja. Ficou perfeito com um ragu de fraldinha, com molho de frutas vermelhas.

fraldinha esta

Na quarta etapa, voltamos aos brancos. Esse chegou chegando, classificado como um vinho mais opulento e caro. Elaborado com a uva pinot gris é produzido na Califórnia, na vinícola fundada por Fred MacMurray, ator falecido de Hollywood. Achei isso de cinema e vinho muito acertado e delicioso! Pra acompanhar, a Maria mandou muitíssimo bem, com um assado de bacalhau desfiado.

 

Na etapa final, vieram mais dois tintos. O primeiro, um vinho da Toscana, tem paladar de framboesa e é suave, comprovando que a Itália nunca decepciona.  Mas a Espanha também não fica pra trás, e de lá veio a derradeira garrafa, feito com as uvas cabernet sauvignon e monastrell. É um tipo mais diferentão no aroma e no paladar, pois tem um toque de especiarias. Eu, leiga que sou, não identifiquei esse diferencial, mas se os entendidos dizem que tem, tem.

O último prato também foi em grande estilo, um lombo ao molho de vinho com batatas elegantes. A elegância foi produção da Maria, que teve que criar um prato em seu curso de gastronomia e batizá-lo com nome forte. Inspirada no queijo cheddar derretendo pela batata, surgiu a nomenclatura – batatas elegantes.  Atesto e dou fé : elegantes, macias e saborosas!

E pra fechar com chave-de-ouro, a sobremesa pela qual eu arrasto um bonde: creme brûléé. Pela cara de bebinhos e felizes dos confrades dá pra imaginar o quão perfeita foi a noite.

Evoé, Baco!