Arquivo da categoria: Família

Um disco, um filho e o rio afora

Quando os Tribalistas surgiram, o Henrique acabava de chegar ao mundo. As primeiras mamadas, as noites em claro, as alegrias e as dores da maternidade foram todas embaladas pelas vozes de Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown.

tribalistas

Velha infância foi a mais especial. Na volta ao trabalho,  peguei um post-it e uma caneta, escrevi a letra e colei na cabeceira do berço do filhote porque tinha certeza que aquela era a música nos faria ligados, mesmos nas horas distantes:

Você é assim
Um sonho pra mim
E quando eu não te vejo
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito

Quase 16 anos depois, com o meu bebê já adolescente, foi um deleite ouvir o álbum novamente, em um show vibrante e super produzido, mesclado com músicas do trabalho recente.

Um filminho passando na cabeça, sem ordem cronológica, vindo e voltando entre 2018 e 2002, misturando maternidade,  velha infância e diáspora, tudo ao mesmo tempo…

O trio super simpático com o público, a cenografia maravilhosa e Maria Monte com figurino de cair o queixo… Os músicos “da cozinha”, que poderiam estar na sala de estar – Pedro Baby, Pretinho da Serrinha e Dadi -, completando o espetáculo.

Com tanta coisa boa a gente faz tudo que seus mestres mandarem, inclusive levantar os braços sob a batuta de Carlinhos Brown e gritar ajayô. Pra minutos depois, se debulhar em lágrimas com Aliança, por que, né, ninguém que acaba de desfazer um casamento passa impune por esta música:

 

Aí a gente se recompõe, retoma o fôlego e canta a plenos pulmões:

Já sei namorar
Já sei chutar a bola
Agora só me falta ganhar
Não tenho juízo
Se você quer a vida em jogo
Eu quero é ser feliz

Para encerrar redondinho e você pensar como não amar esses Tribalistas, eles mandam a versão mineira de Amor, I love you:

Belô, I love you

Belô, I love you

Belô, I love you

Belô, I love you…u..u…

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Suspiros, lágrimas e fim:

Na vida só resta seguir 
Um risco, um passo, um gesto rio afora

 

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Patty & Nanda

Minha prima Patrícia faz aniversário hoje. E, quando chega 28 de fevereiro, sempre lembro da gente em aventuras dessas que só são possíveis compartilhar em parceria, com alguém muito próximo, muito chegada e companheira!

Muitas vezes, encontramos esse amigo-de-fé-irmão-camarada no meio dos primos. São com eles que, normalmente, dividimos a infância, a adolescência e a juventude. Na fase adulta, já não é a mesma coisa. As contingências da vida fazem cada um tomar um rumo. Encontramos menos, nos divertimos menos, somos mais caretas, atolados em responsabilidades e a convivência é menos frequente.

Mas nas primeiras décadas de vida, não. As viagens mais gostosas, as festinhas mais interessantes, os passeios mais divertidos, as primeiras transgressões sempre têm um primo como cúmplice. Com a Patty foi assim. Éramos unha-e-carne nas brincadeiras de casinha – sempre vizinhas de porta, e belas, recatadas e do lar… Também éramos parceiras nas nossas fantasias de professoras, muito dedicadas aos nossos alunos e empenhadas em mudar a educação do país.

Quando viramos mocinhas, formamos um trio da pesada, com o reforço da minha irmã Alexandra, que não curtia brincadeiras de criança e só chegou ao grupo depois. Fomos a muitas festinhas juntas, a muitos festivais de música, a muitos shows…Mas, passado um tempo, eu sobrei porque Alexandra e Patty eram mais prafrentex e começaram os namoricos. Eu era mais pateta e fiquei pra trás.

Depois, esse descompasso desapareceu. Alexandra tomou a dianteira e eu e Patty voltamos a ser unha-e-carne novamente. Fui madrinha de seu casamento civil, uma cerimônia em que só há um par de testemunhas, o que me encheu de alegria!

Mas o fato mais emblemático de todos esses anos em que andamos uma ao lado da outra  foi a Patty ter sido co-pilota em minha estreia com habilitação de motorista. Foi essa prima corajosa que me acompanhou ao Detran quando minha carteira tinha acabado de sair do forno. Obviamente, foi uma viagem de terror, pois eu era uma motorista inexperiente e dirigia mal pra caramba.

Ainda assim fomos juntas avenida Amazonas afora, enfrentando os busões, as buzinas, a poluição e toda a ira daqueles que estão se lixando pra quem encara o trânsito de uma cidade grande pela primeira vez…Pouco nos importou. Naquele trajeto, sentíamos uma confiança inabalável, que só temos quando estamos ao lado de uma companheirona. No melhor estilo nada poderá nos deter, naquela viagem ritual de passagem, fomos parceiras como nunca, curtimos um enredo cinematográfico e vivemos nosso momento Thelma & Louise!

thelma e louise

Jovem é outro papo!

Fim-de-semana de festa e vieram sete colegas do filhote, esparramando testosterona por cada metro quadrado da casa. São jovens adoráveis e na mesma medida, intragáveis. São puro êxtase… e velozes e furiosos.

De saída, têm uma urgência de correr contra o relógio, da qual não compreendo a razão – tolinhos, não percebem que o tempo está  todo a favor deles. Trocam uma boa noite de sono que os adultos tanto prezam para virarem uma noite em comemoração. Assumiram o fogão, o que achei louvável, mas deixaram o arroz queimar, entretidos sabe-se lá com o que. Se tem uma coisa da qual a maioria dos adultos não se distrai é comida, mas para eles, parar 15 minutos para cozinhar e outros 15 para saborear o prato é um desperdício.

Já das bebidas, foram fiéis escudeiros. A geladeirinha vermelha foi cuidadosamente esvaziada de bebidas alcoólicas pelos donos da casa, mas as cervejas apareceram e foram muitos litrões, pois tudo é em superlativo. O contrabando para que as “skóis” chegassem ao refrigerador possivelmente foi articulado em dezenas de mensagens de whatsapp. Quando descobertas, ninguém assumiu a responsabilidade, em um corporativismo de dar inveja.

A vela do bolo nem sequer foi acesa e o canto de parabéns deve ter passado longe, afinal, é um tremendo mico essa coisa de torta-doce-fofinha-bonitinha-em-guardanapinho que as mães tanto consideram.

Nas poucas horas que dormiram, foram todos embolados, subvertendo a divisão de camas pré-estabelecida. Travesseiros e cobertas, também desprezaram. Um deles, talvez atordoado com a noite em claro, ignorou a roupa de cama limpinha, deitou e puxou um tecido que estava ao alcance das mãos – dormiu feliz, enrolado em uma cortina fora dos trilhos, com agenda marcada para a lavanderia.

No dia seguinte, na resenha do café da manhã, a mãe implora por uma foto do aniversariante com os convidados. Mas ninguém localiza o protagonista da festa. Depois de muitos apelos de “Cotote! Cadê você, Cotote?”. Eis que surge o aniversariante ajeitando as calças e explicando docemente o motivo do sumiço: “Espera, caralho, tava cagando!”

quinze anos

Cacate na festa das maravilhas

Pareço uma tia monotemática que não cabe em si de contentamento, mas a noite de sábado merece um registro, um estado de êxtase se instalou em mim desde então, quando a Ana Clara comemorou 15 anos! Vou voltar ao começo porque a história dessa mocinha é muito especial. Ela já chegou subvertendo toda a ordem. A gravidez do irmão mais velho foi muito planejada e aguardada, a gente ainda estava corujando o João Marcelo quando ela chegou e sentou na janelinha. Assim, de estalo, ficamos sabendo que finalmente uma menininha ia chegar na família. Já eram quatro rapazes, estava faltando um pouco de fru-fru na nossa vida…Não bastasse ter vindo assim, de supetão, ela quis dar o ar da graça um pouco antes e pegou a mãe Zara desprevenida, tendo que laçar a primeira boa alma que a levasse pra maternidade. Ana Clara queria porque queria vir ao mundo e foi o valente fusquinha do Marcinho, costurando pela engarrafada Belo Horizonte, que fez com que mãe e filha chegassem ao hospital sãs e salvas. Ufa! Tem estilo essa garota, a mesma sensação que nos tomou sábado, 15 anos depois…Antes disso, foi com essa sobrinha, apelidada carinhosamente de “Cacate”, e com o irmão dela, que ensaiei os primeiros passos da maternidade. Foi com eles que vi as bonecas da infância se materializarem em bebezinhos fofos. No princípio foi isso…Depois, viraram grandes companheiros do meu filho. E agora, na juventude, em uma família em que o sexo feminino impera, ela é que é a nossa consultora de imagem. É quem faz as maquiagens da mãe e as unhas das tias porque, afinal, só ela tem a maleta mais abarrotada de cores modernas e berrantes. E só ela tem a manha de passar e limpar o esmalte, como se a gente tivesse ido à manicure. Feito esse preâmbulo, sobre como ela coloriu nossa convivência, saltamos para o grande dia, a festa de 15 anos! Todos ficamos eufóricos com os preparativos e foi mesmo a festa dos sonhos! O local, super charmoso, com luzes e gelo seco. O DJ não tocou uma música sequer da nossa geração, mas nos acabamos na pista de dança como se também tivéssemos 15 anos e como se não houvesse amanhã. De repente uma mesa surgia na nossa frente com todas as guloseimas possíveis e imagináveis. Estávamos no filme A Fantástica Fábrica de Chocolate. Acho até que vi o Willy Wonka atrás de uma pilastra…e o tablado de doces? Não houve dieta que resistisse àquela profusão de bombons e cajuzinhos e canudinhos…E não houve mágoa que não tenha ido embora com os drinques do barman…Nos fartamos de canapés e salgadinhos, dos mais requintados aos mais tradicionais. Tiramos fotos bem comportadas e outras cheias de caretas…Mas, a beleza mesmo estava nos detalhes…no bolo com as velinhas de todas as festas que a mãe da aniversariante cuidadosamente guardou. Na valsa, que transformou os primos tímidos em exímios dançarinos…e na “dança maluca”, que a Cacate preparou com os colegas de escola. Foi o ponto alto da festa, porque quebrou todo o protocolo e deixou o cerimonial de cabelo em pé com aquela performance a la Priscila, a Rainha do Deserto…Como só as poderosas sabem fazer, a aniversariante puxou a coreografia e e todo o salão cantou Abba a plenos pulmões: “You can dance/you can jive/Having the time of your life/ See that girl, watch that scene/ Digging the dancing queen”. Bem, não podia ser melhor… A festa foi a cara da Cacate, cheia de energia, contagiante, surpreendente e linda, como só as pessoas especiais sabem ser…E por último, uma revelação para a aniversariante: Lembra que você nasceu com uma manchinha na testa? Vou te contar um segredo: não era uma manchinha, você nasceu com uma estrela na testa!!!cate2

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